Herdámos o legado de nossos ancestrais, que permitiu à nossa civilização florescer por milênios, e por isso nos sentimos plenamente justificados, jamais cogitando retornar àquela era em que, entre lâminas e fogo, buscava-se arduamente um caminho. Retribuir aos nossos ancestrais sofredores e, nesse gesto, encontrar o verdadeiro significado de lar, será a história que este livro deseja contar.
Capítulo Um – A Profecia
Além do suicídio físico inútil e da evasão mental, existe uma terceira atitude diante do suicídio: a persistência na luta, o confronto com o absurdo da vida.
Isto foi dito por Camus, um mestre do existencialismo, e Yunlang concordava profundamente com essa frase.
As pessoas que sofrem têm cada uma seus próprios motivos, sendo fácil encontrar ressonâncias no vasto campo da filosofia existente.
Os heróis, contudo, não procedem assim. O sentido de sua existência reside na resistência ou na salvação.
Trilhar caminhos que os outros evitam é uma característica dos heróis.
Rebelião e repressão são sempre os capítulos mais brilhantes da história humana. Nesses capítulos, tanto a beleza quanto a obscuridade da natureza humana se apresentam de forma nua sobre a mesa, como banquetes suntuosos para devoradores insaciáveis – não apenas belos, mas também de sabor duradouro.
Os maus sempre governaram o mundo; aos bons resta apenas resistir. E os bons que triunfam logo se tornam maus; assim tem sido por milhares de anos.
Seja no Estado, no grupo ou na família, as semelhanças são evidentes... e irreversíveis.
Diz-se que os humanos padecem de uma doença chamada conformismo, na qual o comportamento ou pensamento de uns influencia o de outros.
Talvez isso exista. Os insurgentes que, ao primeiro chamado, erguem-se em uníssono, são resultado desse mal.
A opressão e a resistência sempre foram opostas e coexistem desde tempos imemoriais, mas ambas são fenômenos restritos a uma minoria.
Aqueles dotad