(Ação decisiva e implacável + sem distinção entre justo e perverso, só posições diferentes + mente lúcida; no fim, é só assistir tranquilo. Moralistas, deem meia-volta.) No Continente Xuanqing, a veneração das pessoas pelas artes marciais atingiu o auge, ao ponto de buscar até mesmo a imortalidade e a via do Dao. Li Hanjiang atravessou para este mundo e veio parar nas terras de um império chamado Império Chiyan. Talvez por causa da transmigração, ele tinha um pai bastante respeitável, e logo de cara lhe arranjaram um cargo estável — enfim, conseguiu viver às custas do Estado. Mas seu velho parecia estar enredado numa terrível disputa de poder. Para sua segurança, esse pai o enviou para uma cidadezinha remota, a fim de se esconder da tempestade. Logo Li Hanjiang foi despachado do centro do império para uma região local. Ele queria passar alguns anos de forma discreta e depois voltar, mas tudo começou a mudar a partir da frase: [Ding! Parabéns ao anfitrião por ativar o sistema “Perversidade Extrema”!] Mercador A: “Senhor oficial, por que antes vocês cobravam só 10 taéis de taxa de proteção e agora querem 20 taéis de prata?” Li Hanjiang: “Se você mesmo disse que isso era antes.” Guarda de Brocado A: “Senhor Hanjiang, recentemente chegou à cidade um governador com conexões fortíssimas lá de cima; ele já veio querendo conversar conosco sobre a taxa de proteção.” Li Hanjiang: “O quê? Em Qingzhou não é permitido existir alguém tão absurdo assim. Você sabe o que fazer, certo?” Heh heh heh, Majestade, a era mudou! Imortal lá no céu? Você já pagou a taxa de proteção?
Na Capital do Império da Chama Vermelha, na Mansão Li, ecoou uma voz furiosa. “Filho rebelde! Como podes passar os dias inteiros a folhear esses livros que ultrajam a elegância? Eu, que brilhei por uma geração inteira, como pude gerar um covarde tão medroso como tu?” O Grande Tutor e Primeiro Ministro do Gabinete, Li Qian, com o rosto ruborizado de ira, apontava para o jovem sentado na cadeira de mestre, absorto na leitura.
Observando o homem de meia-idade à sua frente, vestido com luxo e irradiando mesmo na cólera uma aura inconfundível de quem está habituado ao poder, Li Hanjiang sentiu apenas um leve cansaço. Ele era um transmigrado, outrora um modesto funcionário público de escalão inferior. Estranhamente, até então, nenhum sistema de bênção lhe havia sido concedido. Contudo, não se podia dizer que lhe faltasse proteção: o próprio Li Qian, figura suprema do Império da Chama Vermelha, era o pai que o destino lhe dera. Na capital, bastava pronunciar o nome “meu pai é Li Qian” para que muitas portas se abrissem.
Perante a insistência do pai, Li Hanjiang pousou o volume com indolência. “Pai, que ultraje à elegância é esse? Eu cumpro o meu dever. Vinde, deixai que vos ensine a ler estas palavras.” E, apontando para o título, recitou com clareza: “As Trinta e Seis Posições do Quarto, redigido pelo Departamento de Entretenimento da Corte.” “Pai, como Comissário de Serviços desse mesmo departamento, revisar as suas obras é simples administração pública, compreendeis?”
Li Qian, ainda a ouvir o filho argumentar com tanta desenvoltura, levou a mão ao peito,