Este é um século que brilha com o esplendor da civilização humana; um mundo onde máquinas a vapor, magia e seres não humanos coexistem; uma narrativa marcada pelos crimes cometidos em nome da expansão. “A Rainha Dragão Escarlate foi a primeira a se erguer, consumindo tudo que era humano em chamas de fúria.” “O enigmático Filho do Mar levantará ondas colossais para apagar os pecados da humanidade.” “O Deus dos Céus fará com que nenhum remanescente encontre abrigo ou lar.” “A Feiticeira Imortal escreverá os epitáfios deles com sua magia.” “E eu, escreverei os próximos capítulos deste novo mundo”... Anos mais tarde, de posse da profecia do fim dos tempos e de um misterioso artefato chamado Manual de Complementação das Jovens Não Humanas, Fischer espera que seu legado seja o de pioneiro nos estudos sobre seres não humanos, salvador da civilização humana, pomba da paz e redentor. E não o de alguém marcado pela lâmina, devastador de vidas, ou um salvador dividido em partes.
O céu inteiro estava coberto por nuvens densas; embora fosse pleno meio-dia, a luz do sol mal conseguia atravessar as camadas sobrepostas e sem fim das nuvens, realçando ainda mais a melancolia quase morta dessas massas impuras.
A terra abaixo era um terreno irregular, uma pradaria aparentemente desabitada. Mas, sempre que uma brisa soprava, a camada de terra vibrava levemente, revelando aqui e ali pontos brilhantes que piscavam, fitando ao longe as tendas coloridas e volumosas.
Essas tendas eram de um exagero extravagante: sobre fundos multicoloridos, pendiam fios e mais fios de ornamentos reluzentes, destacando as inscrições impressas em língua do Continente Ocidental.
“Circo de Koxenim.”
Era um circo itinerante, que percorria diversos países apresentando espetáculos cujo conteúdo não diferia muito dos conhecidos tradicionalmente. Entre as tendas, animais exóticos eram conduzidos pelos membros do circo; muitos artistas ostentavam maquiagem berrante, penteando perucas volumosas sobre a testa.
“Chefe Colin, já está tudo quase arrumado. Podemos seguir para a cidade de Brien.”
À entrada do circo, um funcionário vestido de palhaço dirigiu-se ao homem corpulento e de meia-idade à sua frente, que segurava uma xícara de café. Esse homem tinha os cabelos desgrenhados e volumosos, a barba sem cuidar há tempos, e as dobras de gordura escapavam do terno, deformando a roupa até parecer um barril.
“Ah... Se já está tudo pronto, preparem-se... Bem, vamos esperar um pouco mais pelo comprador. Se não chegar logo, partimos esta noite.”
“