Aquilo que se vê revela tudo o que já aconteceu; aquilo que se ouve desvenda as intrigas e os segredos do coração humano; aquilo que se sente permite conhecer os mistérios que outros escondem nas profundezas da memória. Porém, quanto mais se sabe, menos feliz se é. Olhando para o céu estrelado, Huang Ji percebia a malícia que permeava todo o universo e o beco sem saída da humanidade. Apenas um simples camponês de uma aldeia na Terra, não pôde deixar de suspirar: “Eu sei demais.” Seja tecnologia, mitologia ou até mesmo as falhas ocultas do universo... nada escapava à percepção da informação. Diante do impasse insuperável em que a humanidade era mantida sem saber por civilizações superiores, Huang Ji só podia competir com os extraterrestres para ver quem sabia mais!
Dois de fevereiro, o Dragão ergue a cabeça. Três de março, reverência a Xuanyuan.
No dia 29 de março de 2009, era o terceiro dia do terceiro mês lunar. Em Huazhuang, Xinzheng, província de Henan, poucos anos atrás ainda era comum cada família manter o costume de, nesse dia, prestar homenagens aos ancestrais e a Xuanyuan.
Mas, à medida que cada vez mais jovens partiam para trabalhar nas cidades, restavam no vilarejo apenas idosos e crianças; alguns costumes foram sendo simplificados, e o espírito das festividades se esvaía aos poucos.
Algumas casas ainda conservavam certa solenidade, arrumavam oferendas, preparavam um jantar mais farto, como se celebrassem o aniversário do venerável Imperador Amarelo.
Na maior parte das casas, tudo era mais simples: o idoso da família levava as crianças diante do altar dentro de casa e acendia um incenso em honra ao Imperador.
E havia ainda aqueles que, simplesmente, já não tinham mais esse hábito.
Entretanto, na família Huang, todos os anos se fazia questão de prestar reverência a Xuanyuan, mesmo que restassem apenas o velho e um neto. Jamais negligenciaram a tradição.
Depois de arrumar as oferendas e acender o incenso, o velho, com amargura, murmurou: “Peço ao venerável Imperador Amarelo que abençoe meu neto Xú, para que tenha saúde... cof, cof...”
“Vovô! A comida está pronta.” Um jovem entrou carregando uma travessa, ajeitou a mesa com destreza.
O velho, tossindo, sentou-se e lançou ao neto um olhar preocupado.
Perguntou: “Xú, o que o doutor Liang falou da sua condição esta ma