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Homem que não tem um pouco de malícia é um banana, homem que não tem certo atrevimento é só um tolo. Namoraram por três anos, durante os quais ele sempre tratou Lívia como um tesouro, sem jamais ousar ultrapassar os limites. Mas quem diria, bastou uma bolsa de alguns milhares para que Lívia se entregasse, dissimulada, nos braços de Henrique.
O arrependimento não era pelo término em si, mas por não ter aproveitado para ficar com Lívia antes de se separarem.
Lino acabara de sair da delegacia. Por ter brigado com o amante Henrique, foi parar ali e perdeu o emprego, fruto de muitos anos de estudo e esforço. Tragou algumas vezes o cigarro, relembrando tudo o que acontecera. Mas Henrique também não saiu ileso: Lino quebrou o braço dele, e o sujeito ainda estava no hospital.
Esse pensamento trouxe-lhe certo alívio. Tirou a camisa e foi ao banheiro.
Foi então que algo inesperado aconteceu.
Um raio iluminou o céu, seguido de um trovão tão forte que quase o fez urinar nas calças.
Em seguida, o som da água caindo abafou o estrondo. Lino mal começara a tirar a cueca, quando ouviu um grito agudo, e logo depois, um vulto enorme despencou do nada.
Caiu em cima dele com tanta força que Lino ficou tonto, prestes a xingar quem quer que fosse o responsável, mas então viu que era uma mulher.
Devia ter uns vinte e poucos anos, pele alva, traços delicados, olhos grandes e vivos que o examinavam de cima a baixo. Usava um vestido roxo de corte clássico, elegante, com decote sutil que revelava a silhueta perfeita. A cintura fina deixava à mostra o